quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

De minha Mãe para minha Tia

Há muito tempo quero lhe escrever, mas, uma coisa e outra: o tempo vai passando.... agora me decidi, deixando os afazeres de lado. Como vão vocês? Tudo bem aí? Nós estamos bem, apesar das gripes. Estamos todos gripados, eu e Tonton, pior que os outros.
E o São João, está muito animado? Vai muita gente este ano para a sua casa? O nosso aqui é como um dia qualquer.
Sim, como eu lhe falei no telefone, Criste disse que estava com vontade de passar o São João aí em Cruz e que ia para a casa de mãe. Eu até disse para ela que seria bom ela passar um tempo sem ir aí, para evitar comentários desagradáveis das pessoas falsas moralistas e preconceituosas, pois, você sabe que, principalmente os familiares que veem a coisa muito apaixonadamente, e sendo atingidos "moralmente", são piores que os estranhos. Criste fez uma coisa muito impensada, mas, será que alguém pode atirar a 1a. pedra? Apesar dela não ter agido corretamente, também não foi nenhum atentado à moral pública. Será que nós adultos (madurões), pensamos, por um momento, na idade dela?... essa juventude atual pensa que pode mudar os valores, sentimentos e normas; que não pensam que toda modificação evolui aos poucos e não de maneira brusca como eles pensam.
Criste é muito meiga e, ao mesmo tempo, impetuosa. Ela sempre procura ver nas pessoas aquilo que ela tem de melhor, ver o lado humano, o carente, o puro. O lado mau, errado (que todos nós temos) ela simplesmente acha que é passível e que ela pode melhorar corrigir e superar.
Assim ela pensa, e tudo isto por não ter ainda a maturidade e experiência suficientes para compreender as maldades e mesquinhez de pensamento e atitudes de pessoas falsas moralistas e que não pensam, um momento sequer, que suas reações só fazem piorar as coisas, ofendendo ainda mais as pessoas atingidas. Não é porque ela é minha filha ( e não estou querendo ser a "tal"), mas ela está passando por um momento difícil em que mais precisa do apoio (moral) e compreensão, principalmente por parte dos familiares e, infelizmente, nós aqui que estamos compreendendo essas coisas, não podemos fazer grande coisa pela distancia. Tonton é um homem maravilhoso, que não vive condenando as pessoas e, acima de tudo, um pai compreensivo e que respeita até mesmo a ação impensada de um filho.
Mana, nem sei bem porque estou lhe dizendo tudo isto, mas, meu íntimo e talvez instinto, me impulsionou a escrever assim, talvez porque neste momento eu gostaria de saber o que passa pela cabeça dos outros e se pudesse, descobriria os seus "julgamentos". A gente deve sim repreender os erros dos filhos e orientá-los no que é certo e errado, mas, não marginalizá-los quando teimam em incorrer no "erro". E é isto o que nós tentamos fazer.